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Richard Stallman alerta sobre o cerceamento da liberdade nos ambientes digitais em Porto Alegre

junho 5, 2012

* Publicado originalmente no portal Software Livre Brasil.

O programador e ativista norte-americano Richard Stallman falou ontem, 4 de junho, sobre as crescentes ameaças à liberdade nos ambientes digitais. Stallman, que é considerado um dos criadores do Movimento Software Livre, salientou que as grandes empresas de tecnologia têm monitorado os usuários sem que eles saibam. O evento, realizado em comemoração ao primeiro aniversário de Gabinete Digital do Rio Grande do Sul, foi marcado também pelo lançamento oficial do fisl13, que acontece de 25 a 28 de julho no Centro de Eventos da PUCRS, em Porto Alegre.

O ato contou com a presença do Governador do Estado do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, do Coordenador da Associação Software Livre.Org (ASL), Ricardo Fritsch, e do ex-coordenador do fisl e ativista Marcelo Branco.

Para Stallman, o mundo vive um momento com problemas muito graves de restrições às liberdades na internet. Ele enfatizou que a crescente inclusão digital, que é algo bom, pode se transformar em algo ruim dependendo da maneira como é feita. “Se isso significar aprisionar os usuários, devemos diminuir um pouco a nossa inclusão”, opinou. Durante sua palestra, o ativista citou como o exemplo o fato de escolas, em várias partes do mundo, utilizarem softwares proprietários criando dependência em seus alunos. “É como entregar às crianças uma seringa para que se droguem. Elas ficam dependentes e só a primeira dose é de graça”, alertou.

Após um grande tempo de euforia, em que as possibilidades de comunicação são extremamente amplas, chegou o momento do usuário policiar-se em relação às informações que estão sendo coletadas sobre sua vida na internet. Segundo o criador do Projeto GNU, é possível que grandes empresas tenham uma noção completa do que o usuário faz na rede, citando como exemplo o tipo de informações coletadas por empresas como Google e Facebook.

O principal problema, entretanto, seria quando os governos entram nesta esfera, seja por deixar suas informações à cargo destas empresas (e, portanto, sendo controlados por elas) ou quando instalam sistemas de monitoramento altamente invasivos. Nesta perspectiva, Stallman anunciou que fará sua última visita à Argentina esta semana, devido a um procedimento do governo do país que registra as impressões digitais de todas as pessoas que entram e saem do território.

Stallman encerrou o evento leiloando um gnu de pelúcia e vendendo adesivos e botons para arrecadar fundos à Free Software Foundation. Entre risadas, o ativista continuou dando o tom da sua militância: “Nenhum pinguim pode funcionar sem um gnu”, brincou.

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