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O poder transgressor de “Do Começo ao Fim”

outubro 24, 2010

* Este texto foi escrito originalmente para o blog do CLOSE – Festival Nacional de Cinema da Diversidade Sexual. Os autores do encarnavam  a personagem “Pitanga Castelobranco”, personagem símbolo do evento.

Quando o trailer do filme “Do Começo ao Fim”, de Aluízio Abranches, foi disponibilizado na internet, no ano passado, as bills de todo o país ficaram louquíssimas. Não só pelos boffs belíssimos que protagonizam a história, mas pela polêmica criada em torno do enredo: dois irmãos, muito íntimos quando crianças, apaixonam-se quando adultos. A família aceita bem e depois de alguns anos um dos garotos recebe uma proposta para treinar natação na Rússia e participar das próximas Olimpíadas. A partir daí, a principal curiosidade é relacionada a como vai se dar o relacionamento dos boys à distância.

–*– SPOILERS! A partir de agora, o texto conta com revelações sobre enredo do filme. Se você não quer saber o que acontece, desquende!  –*–

Um ano depois do lançamento oficial, o diretor Aluízio Abranches vem até Porto Alegre para ser jurado da Mostra Competitiva do CLOSE e, de quebra, debater seu filme com nossos espectadores. Segundo ele, o filme foi lançado nas principais capitais do país com quase 100 mil espectadores e um ótimo desempenho internacional. Prova disso é o recente esgotamento da primeira tiragem do DVD na França e a ótima repercussão na China. Isso mesmo! As colegas francesas, podres de chique, se jogaram na história, que, vamos combinar, chama a atenção de qualquer um!

No debate, o principal questionamento do público era em relação a uma aparente falta de conflito no roteiro, onde os irmãos resolveram muito facilmente a situação e tiveram uma recepção simples demais da família, o que, dado o cenário de preconceito do Brasil, talvez não acontecesse na vida real. Aluízio foi bastante explicativo nesta questão e esclareceu: “Eu não queria fazer um filme onde se tratasse a homossexualidade ou o incesto como um tabu.  O conflito do filme é a separação dos dois com a viagem do Thomaz para a Rússia. Esta é uma história de amor, independente do sexo ou parentesco dos amantes. Meu objetivo era fazer quase uma fábula e mostrar a possibilidade de existir um mundo onde estas questões sejam tratadas de uma forma mais natural”.

Para o jornalista Vitor Necchi, que também discutiu o filme, o fato de ele fazer esta quebra com um estereótipo de trama gay o torna um importante manifesto político: “Quando se estuda como a homossexualidade é representada no cinema no decorrer do tempo, nota-se que na grande maioria das vezes o que é retratado é um cenário de doença ou desgraça. Uma obra que quebre com estas características, como ‘Do Começo ao Fim’, é uma provocação à sociedade”, afirma.

O diretor também contou que as meninas adolescentes e as senhoras de meia idade foram as mais interessadas no enredo e que os mais resistentes foram os héteros mais jovens e, pasmem, homens gays mais velhos! Apesar de parecer impressionante, para Abranches, isso pode ter uma explicação bem simples. “Estas pessoas lutaram muito para ter seus direitos reconhecidos e não foi fácil. Ver uma situação extremamente delicada para nós hoje se resolver tão rapidamente pode parecer uma afronta. Entretanto, as coisas estão mudando e precisamos conviver com essa nova realidade”, constata ele.

Para o futuro, o cineasta contou pra gente que está planejando um novo filme, desta vez fora da temática de sexualidade e que até o final do ano será lançada uma nova tiragem do DVD com extras e uma versão em Blue-ray. Aguardaremos ansiosas!

Foto: João Gabriel de Queiroz / SOMOS

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