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Mercado Público: a vida de quem vive do outro lado do balcão

junho 29, 2009

Reunindo bancas dos mais diversos produtos e serviços, o Mercado Público de Porto Alegre é um marco histórico da capital. Construído em 1869, já passou por três incêndios e sobreviveu a todos, mas conserva ainda marcas como uma placa no portão central que mostra a altura da água da enchente que alagou Porto Alegre em 1941.

Entre um corredor e outro, é possível observar uma grande quantidade de produtos e pessoas. Vendedores-poetas ecoam versos pelos bares para atrair a atenção dos clientes. Livros e revistas são folheados a toda hora. Uma olhada e outra nas frutas e legumes. Gente tranquila. Gente apressada. Executivos na escada rolante. Gente humilde pesquisando preços. Conversas, risos e gritos. Sotaque paulista, sotaque argentino, sotaque alemão. Cheiro de peixe. Cheiro de flores. Cafezinho. Almoço. E barulho. Muito barulho.

150 mil pessoas circulam mensalmente pela construção de alvenaria que foi a primeira a ocupar um quarteirão inteiro da cidade. Após passar pelo risco de ser derrubado em 1972, o Mercado foi tombado pelo Patrimônio Histórico Cultural de Porto Alegre e atualmente abriga mais de 100 estabelecimentos, entre bombonieres, cachaçarias, barbearia, loja de aquários, cafés e especiarias, lotéricas, bancas de frutas, livrarias, além de 16 armazéns, 30 bares e restaurantes e nove açougues.

Algumas pessoas circulam anônimas, mas as histórias de quem esta do outro no balcão comprovam que muita gente faz do local seu segundo lar. Há mais de dez anos instalado no local, José Adriano brinca que trabalhar no Mercado já se tornou um vício. “Eu chego aqui às cinco da manhã e só vou embora às oito e meia e faço isso de segunda a sábado”, comenta o vendedor. Em sua banca de verduras e temperos, José Adriano atende todos os dias clientes das mais diversas personalidades. “Tem aqueles que são bons e educados, outros que xingam e outros que apenas te perguntam o preço e viram as costas”, diz.

O vendedor de livros, revistas e jornais Julio Mercado confessa que a rotina diária de 30 anos de serviço é uma das suas principais razões de viver. Entre seus livros, uma imensa variedade de publicações chama a atenção do público, sendo as revistas antigas as mais procuradas devido ao preço acessível.

Muitas culturas e costumes se cruzam ali, tornando o Mercado um dos ambientes mais procurados e visitados pela população porto-alegrense. Vinda da Croácia há 45 anos, a senhora Kollesar mantêm uma banca no local desde que chegou à cidade e hoje, com 70 anos, ainda continua em seu ponto vendendo artigos religiosos. “Mesmo estando doente e com orientações médicas para ficar de repouso, eu não consigo ficar em casa”, diz. “Eu gosto muito de trabalhar, não consigo deixar minha banca”.

Vendendo LP’s há oito anos em uma feira montada mensalmente no segundo piso, o comerciante Natanael Perez dispõe em sua banca estilos raros, dos mais diversos gostos musicais e diz que os LP’s ainda são muito procurados pelo público. “Os discos de vinil são bastante procurados, principalmente o grave, porque ele destaca bem o som dos instrumentos, o que o CD não faz”, explica.

Em 137 anos de existência, o Mercado Público ainda é cenário de histórias de muita gente, que, entre um sorriso e uma conversa, faz deste local um dos pontos comerciais mais importantes de Porto Alegre.

Foto: Fora do Eixo

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